Discrepância nos salários motiva greve de funcionário da Solverde

Aconteceu no passado dia 1 de Dezembro: os funcionários do Casino de Espinho – tutelado pela Solverde – juntaram-se numa greve de 2 dias que contou com níveis de adesão próximos dos 90%. Uma das principais queixas dos funcionários, que procuram melhores salários e condições de trabalho, está relacionada com o facto de os empregados do Casino de Espinho receberem menos do que aqueles que trabalham em outros casinos portugueses. Entre estes encontra-se o Casino da Póvoa, que apesar de ter registado quebras de lucro durante o ano de 2019 paga salários superiores àqueles auferidos pelos trabalhadores da Solverde em Espinho.


Num momento em que os jogos casino grátis ameaçam de forma séria o ecossistema dos casinos portugueses – pelo menos enquanto estabelecimentos de promoção de jogo – a greve dos trabalhadores do Casino de Espinho não parece estar directamente relacionada com a pequena crise económica que tem vindo a afectar os casinos de Portugal. É por isso improvável que os problemas dos funcionários do Casino de Espinho venham a ‘contagiar’ o Casino da Póvoa, pelo menos a curto prazo.

As exigências dos funcionários da Solverde em Espinho

Na opinião do presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Salas de Jogos, Carlos Teixeira, a elevada taxa de adesão à greve foi surpreendente, mas espelha o descontentamento dos funcionários. Para além de considerarem que os salários reduzidos, inferiores ao de trabalhadores em condições semelhantes noutras localidades do país – incluindo a Póvoa de Varzim – são injustos, os empregados do Casino de Espinho pedem a renovação do contracto colectivo de trabalho, a atribuição de um subsídio específico para os trabalhadores do turno da noite e ainda um prémio mensal de assiduidade. Segundo os 180 trabalhadores revoltados do Casino de Espinho, a facturação mensal do estabelecimento – que se fixa numa média de 5 milhões de euros – justifica a criação de melhores condições laborais.


Outras exigências incluem a renovação de regalias que eram anteriormente concedidas aos trabalhadores mas que foram entretanto anuladas. Entre estas encontra-se um período anual de 25 dias de férias, assim como as dispensas pagas do dia de aniversário e do feriado de Natal. Existem além disso relatos relativos a uma cultura administrativa agressiva e com recurso a técnicas que os trabalhadores insatisfeitos consideram de “intimação”.

A luta continua dia 25?

Embora o projecto de uma nova paralisação laboral ainda não tenha sido oficialmente confirmado, é provável que os trabalhadores do Casino de Espinho convoquem novas greves de funcionários para os dias 25 e 31 de Dezembro caso não vejam as suas exigências satisfeitas. Dois dias de festa em que o Casino costuma receber mais visitantes do que normal, e que podem por isso influenciar de forma negativa o balanço de contas anual da Solverde.


Num momento em que os casinos territoriais em Portugal parecem atravessar um dos períodos mais negros da década, a greve dos funcionários do Casino de Espinho apenas vem ajudar a contribuir para o clima de instabilidade. As preocupações económicas do sector são transversais a todos os casinos portugueses, incluindo o Casino da Póvoa. Sem recursos para contrariar a cada vez maior popularidade dos casinos digitais, os tradicionais estabelecimentos de jogo portugueses correm o risco de se tornar obsoletos e de ceder às novas tecnologias.

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